O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, anunciou, nesta sexta-feira (19), a reunião de uma célula de crise para lidar com a onda de calor que atinge o país. O pico do fenômeno é esperado no domingo, quando milhões de pessoas devem estar nas ruas para a ‘Fête de la Musique’ (Festa da Música).
A célula se reunirá no sábado, quando mais de 41 milhões de franceses estarão em zonas sob alerta laranja, o segundo nível mais elevado do país. Este é o segundo episódio de onda de calor deste ano.
A preocupação das autoridades é maior porque o pico é esperado no domingo, durante a popular festa, que reúne milhões de pessoas para shows ao ar livre e consumo de álcool. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, advertiu que alguns departamentos franceses podem passar para o “alerta vermelho por onda de calor” a partir de domingo, com temperaturas em torno de 30°C durante a noite e 40°C durante o dia.
Na quinta-feira, o presidente francês, Emmanuel Macron, pediu para “cuidar das pessoas idosas, das mais vulneráveis”, porque “são dias difíceis”. As autoridades cancelaram vários eventos esportivos e adiaram em uma semana as provas orais para obtenção do diploma de bacharelado. De maneira geral, as festividades da Festa da Música serão permitidas, embora algumas cidades as tenham cancelado.
A ministra da Saúde, Stéphanie Rist, pediu prudência. Ela afirmou que “o álcool, com o calor, provoca consequências muito importantes” para a saúde, pois “ficamos desidratados o dobro ou o triplo” e “acabamos nas emergências muito mais rápido”.
Em Paris, a Prefeitura espera cerca de dois milhões de pessoas nas ruas, como no ano passado. Entre elas, milhares de britânicos que, motivados pelas redes sociais, já se preparam para viajar à capital para reviver a festa. Serpico Collins, de 33 anos, que vive no bairro londrino de Camden, disse que no domingo voltará a percorrer as ruas de Paris em busca de música ao vivo e sets de DJ a partir de varandas. “Em cada esquina havia uma festa”, explicou.
A França vive a primavera mais quente desde que começaram os registros, no ano de 1900, com uma temperatura média nacional entre março e maio cerca de 1°C acima do normal. Cientistas alertam que as ondas de calor na Europa estão cada vez mais frequentes como resultado das mudanças climáticas.
