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Petroleira dos EUA gera polêmica na Groenlândia

Por Notícias 9 · · 3 min de leitura
Petroleira dos EUA gera polêmica na Groenlândia
Navio Petroleiro. Foto: MAURO PIMENTEL / AFP

A empresa americana Greenland Energy gerou polêmica ao desembarcar, sem autorização, equipamentos para perfurações exploratórias na costa leste da Groenlândia, território autônomo dinamarquês cobiçado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A companhia texana, que nega ter vínculos com as ambições territoriais de Trump, afirmou que a ação foi apenas uma etapa preparatória para atividades de exploração em Nunap Qeqqa (Jameson Land). A empresa declarou à imprensa que acreditava que a autorização para desembarcar e armazenar os equipamentos, que estavam em outra parte da Groenlândia, só seria necessária dentro da área coberta pela licença.

O diretor-geral da empresa, Roderick McIllree, reconheceu o erro no fim de julho à emissora pública dinamarquesa DR. "Foi um erro da nossa parte, um erro que não voltará a acontecer", disse. Atualmente, o material está armazenado em um hangar do aeroporto de Nerlerit Inaat, perto de Ittoqqortoormiit, localidade mais próxima da área da licença.

A Greenland Energy, cujo presidente é descrito como próximo a Trump, recebeu uma "severa advertência" do governo groenlandês. O governo também lembrou que todas as futuras operações logísticas deverão ser notificadas e aprovadas pela autoridade competente antes de serem realizadas.

A possibilidade de uma empresa dos EUA iniciar operações de exploração de hidrocarbonetos gera desconforto em um momento em que Trump manifesta o desejo de "controlar" a ilha do Ártico. O pesquisador Ulrik Pram Gad, do Instituto Dinamarquês de Estudos Internacionais (DIIS), afirmou que existe uma "sensação difusa de que há uma conexão com Trump". "Isso gera ansiedade e tensões, especialmente porque, com Trump, pode-se esperar qualquer coisa", acrescentou.

A professora Anne Merrild, da Universidade de Aalborg, especialista no Ártico, avaliou que o desembarque sem autorização não melhorou as chances da empresa diante das autoridades groenlandesas.

Licenças e moratória

Em 2021, o governo da Groenlândia, responsável pela gestão de seus recursos naturais, decretou uma moratória sobre a exploração e a extração de hidrocarbonetos. As licenças de exploração da Greenland Energy, porém, foram concedidas em 2015 e 2018 e continuam válidas. "Uma das condições para manter a licença é explorar ativamente a área — algo que atualmente não acontece —, por isso a empresa está sob pressão", lembrou Pram Gad.

A empresa ainda espera obter a aprovação definitiva para iniciar as perfurações e determinar o potencial de uma possível jazida. Em carta aos acionistas, a Greenland Energy afirmou estar "encorajada pelos avanços" para obter as últimas autorizações. O governo da Groenlândia, porém, considera "irrealista" que a empresa consiga perfurar no outono, segundo o ministro das Relações Exteriores.

Os estudos ambientais e sociais necessários para a aprovação do projeto ainda não foram apresentados. "Os poucos habitantes da região dependem da natureza ao seu redor; são caçadores e pescadores", destacou Merrild. "A perfuração provoca inúmeras perturbações, e o aumento das atividades humanas teria impacto sobre a fauna".

Em Ittoqqortoormiit, mais de 100 pessoas — de uma população de 325 habitantes — se manifestaram contra o projeto em meados de julho. O Serviço Geológico da Dinamarca e da Groenlândia (GEUS) estima que a região possa abrigar 2,35 bilhões de barris equivalentes de petróleo, um volume considerável para um projeto petrolífero, embora limitado em comparação com as reservas mundiais.

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