19/06/2026
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Haddad defende aplicação da lei em operação contra Wagner

Haddad defende aplicação da lei em operação contra Wagner

O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao Governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), afirmou nesta quinta-feira (18) que “a lei tem que ser aplicada independentemente de torcida”. A declaração foi dada em entrevista ao Kritike Podcast sobre a operação da Polícia Federal que teve como alvo o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado.

“Eu torço para que a Justiça ser feita”, disse Haddad. “Eu vou lamentar se uma pessoa próxima a mim errou, porque é uma pessoa que eu conhecia e tudo mais, mas eu não posso desejar, até para o bem da sociedade, que a lei não seja aplicada.”

A fala ocorreu no mesmo dia em que a PF cumpriu mandados de busca e apreensão em nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas relacionadas ao Banco Master. A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal).

Agentes encontraram US$ 55 mil e 33 mil euros, cerca de R$ 471 mil, em endereços ligados a Wagner. Segundo a assessoria do senador, o valor é resultado de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais.

Em nota, Wagner afirmou que não é réu e não foi denunciado nem acusado em nenhum processo relacionado aos fatos investigados. O senador disse que permanece à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.

Haddad disse que a proximidade política ou pessoal não deve impedir a apuração de suspeitas. “Se um adversário meu não errou, ele tem que ter os seus direitos garantidos de defesa e tudo mais. E, se um aliado meu errou e está comprovado, paciência. O país tem que funcionar assim”, afirmou.

O pré-candidato do PT ao governo paulista disse que Wagner já prestou esclarecimentos e que caberá às autoridades avaliar as explicações.

Na entrevista, Haddad elogiou o presidente Lula (PT) e afirmou que, em seu governo, “as instituições funcionam”. Ele comparou a postura do petista à do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a quem acusou de ter interferido na Polícia Federal para proteger os filhos.

“O que o Lula falou? Se meu filho tiver explicações a dar, ele vai dar. Eu não vou mudar o delegado, eu não vou mudar o superintendente, eu não vou mudar o ministro, eu não vou mudar o Coaf”, disse Haddad.

A investigação apura suspeitas de que Wagner recebeu pagamentos ligados ao Banco Master, de Daniel Vorcaro, por meio da empresa da esposa de seu enteado, além de um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões.

A PF identificou um pagamento de R$ 3,5 milhões de uma empresa ligada ao empresário Augusto Lima ao “núcleo familiar” de Wagner. A defesa de Lima afirmou que os fatos serão esclarecidos e que ele sempre agiu dentro da lei.

Wagner, 75, é ex-governador da Bahia e foi ministro nos governos Lula e Dilma Rousseff (PT). Em 2018, ele já havia sido alvo da Operação Cartão Vermelho, que investigou suspeitas ligadas a repasses de empreiteiras na construção e gestão da Arena Fonte Nova, em Salvador. A operação foi anulada em 2019 pelo TRF-1, que entendeu que a investigação não era de competência da Justiça Federal porque os recursos para a reforma do estádio vieram do estado da Bahia, e não da União.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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