Gritzbach delatou empresa que negociava com alvo dos EUA
Em sua delação premiada firmada com o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), o empresário Antônio Vinícius Lopes Gritzbach sugeriu que as autoridades investigassem as movimentações financeiras de empresas ligadas à Victory Trading. Gritzbach foi assassinado em novembro de 2024 no aeroporto de Guarulhos (SP). A Victory Trading é alvo de sanções dos Estados Unidos.
Segundo a delação, Victor Henrique de Oliveira Shimada, sócio da Victory, teria ligações com a empresa Wave Intermediações e Tecnologia Ltda. Gritzbach afirmou que as transações financeiras entre essas companhias "mereciam uma atenção" das autoridades.
As movimentações entre a Victory e a Wave fazem parte de uma denúncia do Ministério Público. De acordo com a denúncia apresentada à Justiça, o fluxo financeiro analisado envolvia o Corinthians, a Rede Social Media Design, a Neoway, a Wave e a UJ Football Talent. A investigação começou a partir de suspeitas de desvio de verbas entre o clube paulista e a patrocinadora Vai de Bet.
Gritzbach também afirmou que a empresa de Shimada manteve negócios com a UJ Football Talent, uma agência de jogadores. Na delação, ele disse que a UJ pertencia a Anselmo Becheli Santa Fausta, conhecido como Cara Preta. O traficante, apontado como um dos principais aliados do PCC em São Paulo, foi assassinado em dezembro de 2021. A morte de Cara Preta e de seu segurança, Antônio Corona Neto (o Sem Sangue), teria motivado o homicídio de Gritzbach.
Nos depoimentos, Gritzbach detalhou a relação de Danilo Lima de Oliveira, conhecido como Tripa, com a UJ Futebol. Ele afirmou que Tripa era o "braço direito" de Anselmo e cuidava dos jogadores. Gritzbach disse que a empresa figurava em nome de Ulisses Jorge, mas que, na prática, era administrada por Anselmo. A empresa mudou de nome e hoje se chama Lion Soccer.
Os EUA, ao justificarem a sanção contra a Victory, afirmaram que a empresa foi usada para lavar dinheiro desviado de um clube de futebol brasileiro. Investigações ligadas a Gritzbach identificaram que Rafael Maeda, que atuava no núcleo do PCC na zona leste de São Paulo, lavou dinheiro com negócios de jogadores da base do Corinthians. Maeda foi assassinado em maio de 2023.
A Polícia Civil de São Paulo não aponta Shimada como integrante do PCC, mas suspeita que ele esteja envolvido em um fluxo financeiro associado a esquemas de lavagem de dinheiro da organização criminosa. A defesa de Shimada nega qualquer envolvimento com crime organizado ou lavagem de dinheiro.