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Fatal Fans no Corinthians: “naturalizar” conteúdo adulto é o objetivo

Por Notícias 9 · · 3 min de leitura
Fatal Fans no Corinthians: “naturalizar” conteúdo adulto é o objetivo
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O cofundador e diretor de negócios da Atlas Technologies, Samuel Ongaratto, afirmou que o objetivo do patrocínio da Fatal Fans ao Corinthians é naturalizar a presença de plataformas de conteúdo adulto no cotidiano dos brasileiros. A empresa passou a estampar a marca no uniforme do clube paulista.

“Quando você coloca a marca de um site adulto em um lugar de prestígio, ao lado de marcas que têm confiabilidade, essa confiabilidade passa para ela por osmose”, disse Ongaratto em entrevista. Ele explicou que o investimento no Corinthians não se justifica por cálculo de retorno financeiro direto.

A Fatal Fans é um site de assinatura de conteúdo adulto, com fotos e vídeos eróticos ou pornográficos produzidos por mulheres, homens e casais. O modelo é semelhante ao do OnlyFans. A empresa retém 15% do valor de cada transação. Segundo a Atlas Technologies, o site reúne cerca de 30 mil criadores de conteúdo e recebe 7 milhões de visitas por mês.

O contrato de R$ 22 milhões entre o Corinthians e a Fatal Fans vale até 2027 e foi fechado em meio à crise financeira do clube, cuja dívida oscila entre R$ 2,4 bilhões e R$ 2,7 bilhões. O acordo deu fôlego ao caixa corintiano, mas gerou polêmica sobre os limites da publicidade no esporte e a proteção de crianças e adolescentes.

Ongaratto afirmou que a estratégia de buscar credibilidade para a marca pode fazer com que pessoas que tinham receio de acessar o site se sintam mais seguras. Ele também defendeu que a propaganda da empresa não é direcionada a crianças e não tem sensualização.

Representações foram encaminhadas ao Ministério Público de São Paulo com base em artigos do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). Projetos de lei para proibir publicidade de conteúdo adulto em espaços públicos e eventos esportivos foram protocolados pelas deputadas Maria Helou (PSOL), Sâmia Bonfim (PSOL-SP) e Tábata Amaral (PSD-SP).

O empresário afirmou que a Fatal Models implantou um sistema de aferição de idade para impedir o acesso de menores de 18 anos, mas que o recurso estava em funcionamento apenas em Maceió. Ele disse que a empresa suspendeu temporariamente o sistema enquanto aperfeiçoava a ferramenta, após a ANPD informar que a fiscalização dos sites adultos começaria apenas em janeiro do próximo ano.

O Corinthians informou, por meio de nota, que se certificou de que a Fatal Fans operava em conformidade com o ECA Digital e que seu conteúdo só poderia ser acessado mediante assinatura feita por pessoas maiores de idade sob verificação do CPF. O clube afirmou ainda que não haverá publicidade com conotação de objetificação ou erotização.

Ongaratto reconheceu que a repercussão tende a produzir efeitos comerciais. “Toda polêmica gera curiosidade”, disse. Ele também afirmou que a empresa ainda não desenvolveu políticas específicas para usuários com comportamento problemático em relação ao consumo de pornografia e que a discussão “carece de mais debate dentro da empresa”.

Sobre a possibilidade de uma de suas filhas escolher ser acompanhante ou produtora de conteúdo adulto, Ongaratto afirmou que respeitaria a decisão e daria recomendações para que pudessem atuar de forma segura. “Eu não estou aqui para estimulá-las a escolher essas profissões, mas também não estou aqui para desestimular”, completou.

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