Estados Unidos e Irã anunciaram um acordo nesta segunda-feira (15) para o fim imediato da guerra no Oriente Médio, incluindo o conflito no Líbano. A assinatura do texto está prevista para sexta-feira (19), em Genebra.
O teor do acordo não foi divulgado. O Irã indicou que as negociações devem começar em, no máximo, 60 dias, com o objetivo de alcançar um acordo definitivo sobre questões como o programa nuclear e as sanções contra sua economia.
O compromisso foi anunciado pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, mediador do conflito. Ele classificou o acordo como “passo histórico em direção à paz”. Washington e Teerã confirmaram a informação.
“O acordo com a República Islâmica do Irã já está concluído. Parabéns a todos!”, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social.
“Autorizo plenamente a abertura sem cobrança de pedágio do Estreito de Ormuz e, simultaneamente, autorizo a suspensão imediata do bloqueio naval dos Estados Unidos. Navios do mundo, liguem seus motores. Que o petróleo flua!”, completou.
Pouco depois, Trump afirmou que a passagem marítima só será reaberta após a assinatura do acordo na sexta-feira.
A agência iraniana Fars informou que o Irã incluiu, no último momento, uma cláusula sobre o pagamento de um pedágio marítimo no Estreito de Ormuz.
“Nos momentos finais da negociação, o texto do memorando de entendimento recebeu uma emenda para enfatizar de forma clara e explícita a questão da soberania do Irã e de Omã sobre o Estreito de Ormuz”, por onde transitam o gás e o petróleo exportados do Golfo, indicou a agência, que citou uma fonte anônima.
“O uso do termo ‘serviços marítimos’ significa que os Estados Unidos aceitaram o pagamento de pedágios ao Irã”, acrescentou a agência iraniana.
O fechamento de Ormuz teve grande impacto na economia mundial, provocando inflação em alguns países e problemas de abastecimento de fertilizantes para a produção de alimentos.
O vice-ministro iraniano das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, afirmou que o acordo com Washington põe “fim imediato à guerra”. Uma fonte diplomática indicou que EUA e Irã devem manter negociações indiretas durante a semana no Catar, antes da assinatura do acordo.
O conteúdo do acordo, alcançado após semanas de negociações tensas e ameaças de Trump, não foi divulgado publicamente. As partes publicaram informações contraditórias. Trump afirmou ao jornal The New York Times que o Irã aceitou uma moratória de 20 anos sobre o enriquecimento de urânio.
Gharibabadi declarou que as próximas conversações abordarão o fim das sanções contra o Irã, a questão nuclear, a reconstrução e o desenvolvimento econômico do país e a implementação de um mecanismo de supervisão dos acordos.
Israel reagiu e anunciou que seu Exército “permanecerá nas zonas de segurança no Líbano, na Síria e em Gaza por um período ilimitado”, segundo o ministro da Defesa, Israel Katz.
O acordo foi recebido com alívio pela comunidade internacional. O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse esperar “que as partes aproveitem o novo impulso e redobrem seus esforços em direção a uma resolução final do conflito”.
Reino Unido, França, Alemanha e Itália celebraram o acordo e afirmaram que estão dispostos a suspender algumas sanções contra o Irã. Egito e Arábia Saudita também elogiaram o pacto.
Em Teerã, Erfan, um vendedor de 18 anos, disse esperar “que o acordo principal seja assinado, que as sanções sejam suspensas e que a economia seja reativada”. Hossein Hagh Parast, um bancário de 31 anos, opinou: “Nosso governo talvez tenha chegado a um acordo com eles, mas o povo está profundamente insatisfeito porque eles matam iranianos, sobretudo crianças inocentes”.
O conflito começou em 28 de fevereiro com bombardeios de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã, que respondeu atacando alvos americanos nos países do Golfo. Em 2 de março, o Líbano entrou na guerra devido aos ataques do Hezbollah contra Israel. Os bombardeios israelenses provocaram mais de 3.700 mortes desde março, segundo o governo libanês.
Uma fonte oficial libanesa disse que o governo de Beirute “não foi informado” sobre o acordo, nem sobre o momento em que entrará em vigor.
O acordo impulsionou as Bolsas e derrubou os preços do petróleo. Às 7h30 GMT (4h30 de Brasília), o barril de West Texas Intermediate recuava mais de 5%, com cotação acima de 80 dólares. O Brent do Mar do Norte era negociado por quase 83 dólares.
“O que poderemos fazer é reduzir o custo da energia, não apenas agora, mas a longo prazo, e criar um verdadeiro motor de prosperidade no Oriente Médio”, disse o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, ao canal Fox News.
