06/06/2026
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Contrabando de canetas emagrecedoras explode 1.000% em Foz do Iguaçu

Contrabando de canetas emagrecedoras explode 1.000% em Foz do Iguaçu

O contrabando de medicamentos emagrecedores se tornou o novo alvo da fiscalização na fronteira de Foz do Iguaçu (PR). Dados da Alfândega da Receita Federal mostram que as apreensões de canetas e ampolas para emagrecimento cresceram 1.000% em um ano.

De acordo com a Receita Federal, entre janeiro e maio de 2025 foram apreendidas 7.479 unidades. No mesmo período deste ano, o total subiu para 79.837 unidades.

As canetas são compradas no Paraguai por um preço 69% menor, o que estimula a entrada ilegal no Brasil. As apreensões diárias aumentaram depois que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a entrada de algumas marcas do Paraguai.

O chefe da Alfândega da Receita Federal em Foz do Iguaçu, Cezar Vianna, afirmou que a fiscalização agora foca em ônibus fretados com histórico de ocorrências. “Estou aqui há mais de 20 anos e este incremento de 1.000% nas apreensões em um ano é totalmente atípico”, disse.

A maioria dos produtos apreendidos são ampolas com princípios ativos para uso com as canetas. Por serem pequenas, elas são escondidas em bolsos, capacetes e até em paredes de caixas térmicas, onde cabem até 500 unidades.

Os contrabandistas usam diversos veículos para cruzar a fronteira. Já foram encontradas ampolas dentro de potes de doce de leite argentino, em compartimentos atrás de banheiros e em dutos de ar-condicionado de ônibus. Carros de luxo como Land Rover, BMW e Mercedes também foram usados, com ampolas em fundos falsos.

O interesse não se limita a redes de contrabando. Famílias que viajam a Foz do Iguaçu cruzam a fronteira para o Paraguai e trazem os remédios nos próprios carros para vender ou usar. Brasileiros que estudam Medicina no Paraguai também aproveitam a travessia diária para levar o produto, supostamente para pagar mensalidades.

Há ainda “laranjas” que passam pela Ponte da Amizade a pé ou de moto, deixando o produto em pontos específicos ou estacionamentos. Um carregamento de 50 ampolas vale cerca de R$ 9 mil, mas o preço pode dobrar ao chegar ao Brasil.

As condições de transporte não seguem normas sanitárias. O medicamento precisa de controle térmico para não perder a eficácia, mas no contrabando essa preocupação não existe.

A Receita Federal estima apreender apenas 5% do contrabando que passa pela fronteira. Os produtos retidos ficam na Alfândega de Foz do Iguaçu até o processo administrativo ser concluído. Depois, são enviados para Goiás, onde são destruídos.

A proibição da entrada dos remédios fez surgir uma rede clandestina também na fabricação. Em março, donos de farmácias e depósitos em Ciudad del Este pediram proteção policial contra roubos de quadrilhas especializadas.

Em maio, a Direção Nacional de Vigilância Sanitária do Paraguai (Dinavisa) alertou sobre medicamentos como Veltrane, Tirzepatide, Thera Tirzepatide, Tirzepatite Injection e Tirzegen, que não têm registro e podem conter substâncias prejudiciais à saúde. O órgão disse que não há informações sobre dosagem e preparo desses produtos.

Segundo a Anvisa, nenhum medicamento registrado em outros países pode ser vendido no Brasil, e o contrário também vale. A agência já suspendeu importações de vários tipos de medicamentos e emitiu resoluções sobre canetas falsificadas.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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