30/04/2026
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Chuva Mortal no Rio: Capital Registra Fevereiro Mais Chuvoso da História

As recentes chuvas, com índices superiores ao previsto, causaram inúmeros problemas em várias regiões do estado do Rio. Os casos mais alarmantes ocorreram em Angra dos Reis, onde um homem de 55 anos perdeu a vida, e em Cabo Frio, com duas pessoas feridas em desmoronamentos. Na capital, embora sem ocorrências de gravidade, o mês de fevereiro marca um novo recorde por se tornar o mais chuvoso já documentado. Conforme dados do Sistema Alerta Rio, órgão meteorológico da prefeitura, a cidade contabilizou 350 milímetros de chuva até a manhã do dia anterior, volume cerca de três vezes superior à média histórica para o período (118,3 mm), tendo em conta a série entre 1997 e 2025.

A previsão indica uma diminuição dos volumes acumulados de chuva nos próximos dias, sem expectativa de chuvas intensas. Entretanto, como diversas regiões têm o solo ainda saturado de água, o perigo de deslizamentos de terra persiste. O mês de fevereiro marcou recordes de precipitações no Rio, resultando numa quantidade quase três vezes maior do que a média registrada. A corporação dos Bombeiros foi chamada para atender mais de cem incidentes, grande parte deles ocorrendo na madrugada e manhã daquele dia de sexta-feira.

“A tendência de diminuição (dos níveis de chuva) começa no fim de semana, mas o problema é que já choveu muito. O solo está bastante encharcado, e qualquer nova chuva acaba se somando ao que já caiu”, observa o meteorologista Cesar Soares, do Climatempo. Ele acrescenta que a variação no clima está ligada à ação de um sistema de alta pressão sobre o oceano.

Mesmo com a estimativa de melhora, o volume de chuva acumulado em fevereiro ultrapassa todos os registros anteriores, contrastando com o cenário de 2025, quando o mesmo período teve o fevereiro mais seco da série histórica, com somente 0,6 mm de chuva. Mayara Villela, meteorologista do Alerta Rio, atribui a discrepância à atuação mais frequente de sistemas que favorecem intempéries.

“Neste ano, experimentamos alguns fenômenos que trouxeram maior instabilidade ao tempo e, consequentemente, colaboraram para a elevação das chuvas, como a Zona de Convergência do Atlântico Sul (Zcas), áreas de instabilidade termodinâmica e sistemas de baixa pressão”, explicou. Ela ainda mencionou a presença de cavados, fenômenos meteorológicos que também influenciam na formação de chuvas.

Os pluviômetros registraram chuva em 21 dos 27 dias de fevereiro, e as 33 estações da rede ultrapassaram a média climatológica. Observaram-se os maiores acumulados nas zonas Norte e Oeste. No Alto da Boa Vista, por exemplo, o índice alcançou 400 mm, bastante acima dos 163,1 mm esperados para o mês. Este volume excessivo levou o município a alterar seis vezes o estágio operacional. No dia 20, a cidade passou para o Estágio 2, condição que perdurou até a data anterior.

Diversos municípios fluminenses sentiram os efeitos da tempestade, mas a Costa Verde e a Região dos Lagos foram as mais atingidas.

Em Angra dos Reis, ao longo de apenas seis horas, choveu mais de 200 milímetros, conforme a Defesa Civil municipal. As 20 sirenes de alerta foram acionadas. Um homem perdeu a vida no bairro Parque Belém. Deslizamentos de terra afetaram construções na zona central, deixando aproximadamente 200 pessoas desabrigadas.

Já em Paraty, na Costa Verde, o volume acumulado chegou a 228,39 milímetros em 24 horas. Ocorreram quedas de árvores, quatro deslizamentos de barreiras, interrupções no fornecimento de energia, danos na rede de água e colapso de pontes. Mirando auxiliar os desalojados, locais de apoio, como a Escola Municipal Pequena Calixto, que acolheu 51 pessoas, foram abertos. Até às 19h daquele dia, a prefeitura ainda estava quantificando o total de desabrigados e desalojados.

Paraty também teve o estado de calamidade pública reconhecido pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (Midr), por meio da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec), ao final daquela sexta-feira. A oficialização será publicada no Diário Oficial da União na segunda-feira seguinte.

De acordo com o Governo Federal, declara-se estado de calamidade pública quando uma região se encontra em situação anormal, provocada por desastres que causam danos e prejuízos e que conduzem ao comprometimento significativo da capacidade de resposta do poder público da região afetada.

No município de Cabo Frio, na Região dos Lagos, o volume de chuvas chegou a 83,2 milímetros no primeiro distrito e 68,7 no segundo. No Centro, o teto de um restaurante desabou, resultando em dois feridos. A construção foi interditada. Um veículo caiu numa cratera no bairro Jardim Esperança, houve quedas de árvores e 11 pessoas foram desalojadas. Atividades de saúde e aulas da rede pública foram suspensos. Os locais mais afetados foram Unamar, Maria Joaquina, Jardim Esperança, Tangará, Jacaré e Parque Burle.

Numa distância de aproximadamente 50 km, em Rio das Ostras, a intensa chuva causou inundações e resultou na suspensão das aulas. O mesmo procedimento foi adotado em Arraial do Cabo e Macaé. Na última cidade, bairros como Cabiúnas e Cidade Universitária registraram grandes volumes de chuva, ocorrendo inundações e deslizamentos de terras.

Em Macaé, nas últimas 24 horas, os maiores volumes de chuva foram registrados em Cabiúnas (180,5 mm), Cidade Universitária (142,4 mm), Horto (130,8 mm) e Severina (126,6 mm). A Defesa Civil computou várias ocorrências: a evacuação de estudantes de uma escola no Novo Horizonte, inundações em bairros como Aroeira, Nova Malvinas e Córrego do Ouro, quedas de árvores, infiltrações, deslizamentos de terra em Bicuda Pequena e Trapóleo, além de risco de deslizamento em locais como Bela Vista e Córrego do Ouro. Os desfiles de carnaval que a cidade sediaria até o domingo foram adiados, ainda sem uma nova data definida.

O Corpo de Bombeiros informou que foi acionado para mais de 100 ocorrências relacionadas às chuvas desde a quinta-feira. O Centro Estadual de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais do Rio (Cemanden-RJ) emitiu 34 alertas severos para risco de inundação e deslizamentos em municípios da Costa Verde e da Região dos Lagos.

“Estamos nesses municípios com risco muito alto na questão hidrológica e nos riscos de deslizamentos. Por isso, pedimos que todos respeitem os alertas enviados para evitar novas vítimas e novos problemas, além de diminuir danos à população”, declarou o tenente-coronel Alexander Anthony Barrera, diretor do órgão.

A Marinha do Brasil também avisou sobre a possível formação de um ciclone subtropical em alto-mar, cerca de 600 quilômetros a sudeste de Arraial do Cabo, sem expectativa de impactos diretos na costa. Condições chuvosas, rajadas de vento e agitação marítima estarão confinadas ao alto-mar, conforme o comunicado. A previsão aponta ventos sustentados de até 60km/h, com rajadas que podem alcançar 75km/h, sobretudo nos setores nordeste e leste do sistema, até a noite daquele dia.

Segundo o Governo Estadual, em torno das 19h, pelo menos 22 municípios foram classificados com risco hidrológico alto ou muito alto. Ou seja, grande chance de ocorrerem alagamentos e inundações.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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