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Cão de alerta psiquiátrico renova tratamento da esquizofrenia

Por Notícias 9 · · 2 min de leitura
Cão de alerta psiquiátrico renova tratamento da esquizofrenia
Cão de alerta psiquiátrico renova tratamento da esquizofrenia

O uso de cães de alerta médico tem se expandido para novas áreas da saúde. Tradicionalmente associados ao apoio a pessoas com deficiência física, autismo ou diabetes, esses animais agora começam a ser usados na psiquiatria. Eles auxiliam no acompanhamento de transtornos graves como a esquizofrenia, uma condição neurológica e psiquiátrica crônica que altera a percepção da realidade e o comportamento.

O especialista em cães de alerta médico e assistência, Glauco Lima, se destaca nessa área. Ele introduz metodologias para mitigar crises comportamentais e oferecer suporte emocional a pacientes em tratamento contínuo.

Na gestão residencial de pacientes com o transtorno, detectar instabilidades cedo é o principal fator para o bem-estar. A administradora residencial Paula de Souza acompanha uma tutora com mais de 50 anos diagnosticada com a condição. Ela explica que um dos maiores desafios é reconhecer os primeiros sinais de que uma crise pode se aproximar. Alterações sutis de humor e inquietação exigem intervenções rápidas para evitar que o quadro se agrave.

Para preencher essa lacuna, a cadela Luna, uma Goldendoodle nascida nos Estados Unidos, foi introduzida na rotina da paciente. Ela passa por formação intensiva desde 2024 para atuar como cão de serviço psiquiátrico. O treinador Glauco Lima explica que o treinamento envolve socialização, estabilidade emocional e a capacidade de identificar padrões comportamentais que indiquem ansiedade, agitação ou alterações emocionais. O animal é condicionado a emitir sinais claros para a tutora e a equipe quando detecta desvios da normalidade.

Um diferencial do método é que o treinamento vai além da relação entre o cão e a paciente. Paula de Souza afirma que Glauco também desenvolveu treinamentos práticos com todos os profissionais que convivem com a paciente. Cuidadoras, cozinheira, motoristas e equipe de limpeza participam do aprendizado para alinhar as respostas e manter a consistência metodológica.

A presença da Luna trouxe mais tranquilidade para a rotina da residência. Paula de Souza afirma que a cadela não substitui os profissionais de saúde nem os cuidadores, mas soma ao atuar como uma camada de acolhimento e monitoramento dentro do protocolo terapêutico.

Glauco Lima também trabalha com alertas metabólicos. Ele já treinou cães para identificar oscilações glicêmicas em pacientes diabéticos pelo olfato, antes dos sintomas graves. Ele ressalta que muitas pessoas ainda associam cães de assistência apenas a deficiências físicas ou visuais, mas hoje há trabalhos para diversas condições médicas e psiquiátricas. Cada plano de treinamento é customizado para atender as singularidades de cada indivíduo e respeitar o bem-estar do animal.

Paula de Souza conclui que o trabalho técnico, desenvolvido com responsabilidade, ciência e respeito ao bem-estar animal, pode contribuir para oferecer mais qualidade de vida a uma pessoa com esquizofrenia. Ela afirma que os cães de serviço representam um recurso de enorme valor e que o alinhamento entre tecnologia comportamental, ciência médica e sensibilidade animal abre caminhos promissores para o cuidado integrado.

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