23/04/2026
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Alerta: Guerra China-EUA no Pacífico seria pior que Hormuz

O ministro das Relações Exteriores de Cingapura, Vivian Balakrishnan, alertou que um eventual conflito entre China e Estados Unidos no Pacífico faria os eventos no Estreito de Hormuz parecerem um ensaio. A declaração foi feita durante o evento CONVERGE LIVE da CNBC, em Cingapura.

Balakrishnan respondeu a uma pergunta sobre se a cidade-Estado enfrenta pressões de Washington e Pequim para escolher um lado. Ele afirmou que Cingapura mantém relações com ambos os países e está em uma posição única para se beneficiar dos desenvolvimentos nas duas nações.

Os Estados Unidos são o maior investidor estrangeiro em Cingapura, com cerca de 6.000 empresas americanas sediadas no país. Segundo o escritório do Representante Comercial dos EUA, Cingapura tem um déficit comercial em bens com Washington de aproximadamente US$ 3,6 bilhões.

Por outro lado, a China é o maior parceiro comercial de Cingapura, e Cingapura é o maior investidor estrangeiro da China. O ministro disse que Cingapura se recusa a escolher um em detrimento do outro, agindo sempre de acordo com seus interesses nacionais de longo prazo.

Ele afirmou que a maneira como o país conduz seus assuntos é avaliando o que está nos interesses de longo prazo de Cingapura. Se tivermos que dizer não a Washington, Pequim ou qualquer outro, não hesitamos em fazê-lo, disse Balakrishnan. Agimos em nosso próprio interesse nacional de longo prazo. Seremos úteis, mas não seremos usados.

Separadamente, o ministro comentou que o conflito no Oriente Médio mostrou que pontos de estrangulamento são importantes. Ele destacou que Cingapura também está localizada ao lado de uma das principais artérias comerciais do mundo, o Estreito de Malaca.

Em seu ponto mais estreito, o Estreito de Malaca tem duas milhas náuticas, comparado às 21 milhas náuticas do Estreito de Hormuz. Questionado se as ações do Irã, que tenta cobrar pedágios de navios que passam por Hormuz, poderiam incentivar outros países a fazer o mesmo em pontos como Malaca, Balakrishnan reconheceu o risco.

No entanto, ele afirmou que os Estados que margeiam o Estreito de Malaca – Cingapura, Malásia e Indonésia – têm um interesse estratégico em mantê-lo aberto e não cobrar pedágios. Com relação tanto à América quanto à China, dissemos a ambos que operamos com base na UNCLOS, declarou, referindo-se à Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar.

O artigo 44 da UNCLOS estabelece que os Estados que fazem fronteira com estreitos não devem dificultar a passagem em trânsito… Não haverá suspensão da passagem em trânsito. Balakrishnan reforçou: O direito de passagem em trânsito é garantido a todos. Não participaremos de quaisquer tentativas de fechar, interditar ou impor pedágios em nossa vizinhança.

Em um momento em que a crise no Oriente Médio, a guerra na Ucrânia e as ações tarifárias dos EUA semearam desconfiança entre as nações, Balakrishnan enfatizou a necessidade de construir confiança. A confiança é basicamente uma maneira de reduzir os custos de transação. Ser previsível, ser ‘chato’, ser confiável, ser digno de confiança tem um valor real.

Suas observações seguiram as do vice-primeiro-ministro de Cingapura, Gan Kim Yong, que discursou no evento. Gan disse que a confiança não pode mais ser presumida, ela precisa ser construída e fortalecida. Ele afirmou que Cingapura já é um centro financeiro importante e que o próximo passo será construir um ecossistema mais amplo para serviços baseados em confiança, incluindo gerenciamento de riscos, cibersegurança e governança de IA.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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