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Adeus de Neymar: legado individual ou coletivo?

Por Notícias 9 · · 4 min de leitura

A cena de Neymar aos prantos e sendo consolado por familiares após a eliminação do Brasil na Copa do Mundo, somada à fala do próprio atleta de que “agora acabou”, indica que o ciclo do craque na seleção brasileira chegou ao fim.

— Tentei, tentei. Agora acabou. Comecei aqui, fechei aqui — disse Neymar à GE TV na saída do campo, embora não tenha oficializado posteriormente.

Seja nas redes sociais, seja em conversas com pessoas próximas, Neymar já tratava este Mundial como sua “última dança” antes mesmo de chegar aos Estados Unidos. Uma história que, conforme lembrado pelo próprio jogador, começou no mesmo MetLife, em Nova Jersey, há 16 anos, no dia 10 de agosto de 2010, em amistoso contra os EUA, e terminou no domingo, na derrota por 2 a 1 para Noruega, com um gol dele no apagar das luzes.

Companheiros valorizam

Além da breve declaração, o discurso de Neymar no vestiário brasileiro pós-derrota foi visto como outro forte indício de que o camisa 10 está convicto da aposentadoria na seleção. Perante os companheiros, ele chorou, agradeceu pelo período de convivência durante a Copa e se despediu.

— Neymar é meu ídolo. Sempre quis jogar com ele. Foi um momento marcante estarmos juntos na seleção. Desejo sorte para ele no decorrer da temporada e na vida. Ele sempre cuidou muito bem de mim — disse Vini Jr. após a eliminação.

Considerado injustiçado por não ter sido convocado para a Copa de 2010, quando tinha 18 anos e já brilhava no Santos, Neymar sempre foi sinônimo de esperança para os torcedores brasileiros. Desde a estreia, com Mano Menezes, logo após o Mundial da África do Sul, até a última partida, o craque carregou sobre os ombros a expectativa de levar o Brasil de volta ao caminho das grandes conquistas. Em termos concretos, tal objetivo não foi concluído. Porém, é inegável que ele foi o expoente de sua geração e manteve a herança do “jogo bonito”, que representa o futebol brasileiro para o mundo.

Mas, afinal, qual é o tamanho de Neymar na história da seleção? Os números jogam a favor do atacante. Mas a comparação de seus feitos com outras lendas gera questionamentos sobre o legado deixado pelo craque.

Com 80 gols em 130 partidas, Neymar deixou até Pelé para trás (77 gols) e se tornou o maior artilheiro da história da seleção brasileira. Deu também 58 assistências, gerando uma média superior a uma participação em gol por jogo.

Peso dos números

Mas mesmo o topo da artilharia abre espaço para debate. De seus 80 gols, mais da metade (46) foi anotada em amistosos. Em grandes torneios, 18. Já em jogos de mata-mata, foram cinco bolas na rede (Espanha, na Copa das Confederações de 2013; e, em Copas do Mundo, contra México, em 2018; Coreia do Sul e Croácia, em 2022; e Noruega, em 2026). Para se ter ideia, Ronaldo, que marcou 62 gols pelo Brasil e fecha o pódio da artilharia da seleção, anotou 23 deles em amistosos. A proporção é de 37% contra 57% de Neymar.

Em termos de título, Neymar conquistou a Copa das Confederações de 2013 e a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 2016 — o camisa 10 não participou da Copa América de 2019 por causa de uma lesão no tornozelo. O Fenômeno tem como diferencial no currículo o penta, em 2002, como protagonista, o tetra de 1994, como reserva, e a artilharia do Brasil em Mundiais, com 15 gols. Já Pelé dispensa comparações. É o jogador com mais Copas na história, com os títulos de 1958, 1962 e 1970.

Incógnita no Santos

Se na seleção a história de Neymar parece ter tido um ponto final, no Santos, o ponto que se faz presente é o de interrogação. Campeão da Libertadores, da Copa do Brasil e de diversos estaduais na primeira passagem pelo clube paulista, o atacante não conseguiu grandes êxitos desde que retornou ao futebol brasileiro, no ano passado. Mesmo assim, o clube deseja a permanência do craque, que possui contrato até dezembro.

Havia, nos bastidores santistas, a expectativa de uma maior participação de Neymar no Mundial para que depois as partes conversassem sobre os planos para a carreira. Com a eliminação precoce, a diretoria aguarda uma sinalização do estafe do atleta.

A questão passa pelo planejamento pessoal de Neymar. O atacante já chegou a negociar com clubes dos EUA. Nesse caso, o movimento de reta final de carreira seria semelhante ao do volante Casemiro, que acertou com o Inter Miami de Lionel Messi.

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