Os roubos em transporte coletivo no Distrito Federal caíram 52% em 2025, segundo o 2º Anuário de Segurança Pública do DF. Foram registradas 111 ocorrências neste ano, contra 230 no ano anterior. A redução acumulada em uma década, entre 2016 e 2025, chega a 96%. O levantamento mostra que 15 regiões administrativas não tiveram nenhum caso de roubo registrado no período.
O secretário de Segurança Pública interino, Alexandre Patury, atribuiu a queda a um conjunto de medidas. Entre elas, o uso de tecnologia e inteligência policial para identificar quadrilhas especializadas em furtos e roubos de celulares dentro dos ônibus. “Buscamos identificar quadrilhas que antes atuavam em furtos e roubos dentro dos ônibus. O objetivo é evitar principalmente furtos e roubos de celulares, muitas vezes praticados por grupos organizados, inclusive com uso de armas brancas”, afirmou.
Uma das iniciativas destacadas foi a extinção do pagamento da tarifa em dinheiro nos ônibus, implementada pelo Governo do Distrito Federal a partir de 2024. Antes da mudança, cerca de 29% das passagens eram pagas em espécie. Atualmente, o sistema é 100% digital, com tarifas cobradas exclusivamente por cartões de transporte, cartões bancários ou benefícios de gratuidade para idosos, pessoas com deficiência (PCD) e pessoas em situação de pobreza (PLE).
A Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob-DF) atua em cooperação com a Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF). Todos os ônibus e terminais rodoviários são monitorados por câmeras, e as imagens são usadas na apuração de ocorrências. Avanços como a identificação facial permitem uma resposta mais rápida a suspeitos com mandado de prisão.
Patury afirmou que o trabalho continuará para reduzir ainda mais os índices e diminuir a sensação de insegurança da população. Ele também incentivou a integração de câmeras residenciais ao sistema DF 360, acessível pelo site oficial, para ampliar a capacidade de identificação de criminosos.
Motoristas e usuários relataram os efeitos positivos das mudanças. Wemerson Guimarães, motorista com 14 anos de experiência, disse que já passou por situações de risco, incluindo assaltos com arma de fogo, mas destacou as melhorias com a retirada do dinheiro e a informatização do sistema. “A retirada do dinheiro a bordo dos veículos trouxe uma sensação maior de segurança e ajudou a diminuir os índices de assaltos”, afirmou.
A diarista Rosa de Sousa, de 51 anos, moradora de Água Quente, disse que o uso do cartão facilitou sua rotina e que não ouve mais relatos de assaltos nos ônibus. “Com certeza, hoje é mais tranquilo. A gente não fica mais com aquele medo de alguém entrar no ônibus para assaltar”, completou. O aposentado Edson dos Santos, de 65 anos, residente no Areal, também corroborou: “Durante esse tempo, nunca presenciei nada dentro dos ônibus. É tranquilo rodar pelo DF”.
