21/05/2026
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Lula recusa canal de Motta para resgate do BRB

Lula recusa canal de Motta para resgate do BRB

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém a decisão de não autorizar uma ajuda do governo federal para salvar o BRB (Banco de Brasília), apesar da tentativa de lideranças do centrão de abrir um canal direto no Palácio do Planalto para a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP).

Celina, da oposição ao governo federal, pediu ajuda ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para intermediar uma agenda com Lula. O presidente, porém, não recebeu a governadora e também sinalizou que vai recusar o resgate federal do banco, de acordo com relatos obtidos nos últimos cinco dias pela Folha com pessoas a par das negociações.

Motta, que é amigo de Celina e esteve ao lado dela na corrida de 200 anos da Câmara no último fim de semana, falou com auxiliares de Lula sem sucesso para agendar o encontro. Aliados de Motta afirmam que o presidente da Câmara já avalia que a ajuda do Tesouro não vai sair mais.

O BRB vive um momento delicado após descumprir o prazo legal de 31 de março para publicar suas demonstrações financeiras de 2025. A instituição alegou a necessidade de concluir uma auditoria forense após perdas bilionárias em operações com o Banco Master, o que deixou o mercado sem conhecer o tamanho real de seu rombo financeiro.

Na atual conjuntura em que um pré-candidato à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), se vê envolvido no caso “Dark Horse” com o dono do Master, Lula tem sido aconselhado a ficar ainda mais distante do BRB. O escândalo estará na pauta do PT na campanha presidencial diante das relações conhecidas entre o filho de Jair Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

O novo episódio do caso reforçou a avaliação de Lula e auxiliares de que não deve ajudar o BRB, apesar da movimentação do centrão, que contou com o apoio nos bastidores do Planalto do ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT), ex-líder do governo na Câmara.

O ministro, que é muito próximo ao ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), acabou tendo de afirmar na primeira coletiva no cargo que era contrário a um socorro do governo Lula. Procurados, o Palácio do Planalto e a governadora Celina Leão não responderam ao pedido de informações da Folha.

O BRB assumiu prazo até 29 de maio para fazer o aporte de capital e publicação do balanço com o registro de prejuízos após compra de carteiras de crédito fraudadas e ativos com preço maior do que o valor real pertencentes ao Master. A nove dias do prazo, o comando do BRB não deu nenhuma sinalização oficial. O banco também enfrenta sérios problemas de liquidez de caixa e vem vendendo ativos. As operações, no entanto, têm sido insuficientes para equilibrar a situação, de acordo com pessoas ouvidas pela Folha na condição de anonimato.

Até o dia 29, o BRB espera receber R$ 3 bilhões do fundo de investimentos gerido pela Quadra Capital referente a venda ativos que tiveram origem no Master. O BRB já recebeu R$ 1,2 bilhão do fundo, segundo um integrante do banco. Esse dinheiro é para enfrentar o problema de liquidez de recursos. Procurado pela Folha, o BRB não respondeu o pedido da reportagem.

A interlocutores, o presidente do BRB, Nelson Souza, afirma que o aumento de capital será feito no prazo. Uma operação com novos instrumentos de garantia para o empréstimo do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) e de um consórcio de grandes bancos está sendo organizada, além da securitização de dívida ativa. Essa operação está sendo mantida a sete chaves.

Integrantes de grandes bancos avaliam, no entanto, que mesmo que consiga resolver o problema no curto prazo, o BRB tem poucas condições de evitar uma intervenção do BC pelo tamanho do rombo, que seria maior do que tem sido especulado, sem fôlego para muito mais dos seis meses.

Uma notícia ruim para o BRB foi a decisão do TJDF (Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios) de encerrar o contrato com o banco, no último dia 14 de maio. Os depósitos judiciais do tribunal eram uma fonte de recursos importante para o caixa da instituição. O risco é de outros TJs seguirem o mesmo caminho. Os novos depósitos judiciais do TJDF passaram a ser direcionados para a Caixa. O banco do governo federal já sinalizou que não vai poder socorrer o BRB, como pensava inicialmente.

O clima entre os funcionários no BRB é de desalento, conforme relatos colhidos pela reportagem. Os funcionários lamentam a falta de um apoio mais forte do sindicato dos bancários. O banco tem cerca de cinco mil servidores. A esperança é que o sistema bancário construa uma solução para impedir mais uma quebra de banco.

Como mostrou a Folha, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou a parlamentares do DF nesta quarta-feira (20) que a situação do BRB está sendo avaliada diariamente e que a autoridade monetária não se baseia no prazo de até 29 de maio para a publicação do balanço de 2025. Galípolo disse que o prazo que existe é o legal, que terminou em 31 de março para companhias de capital aberto e foi descumprido pelo BRB, deixando ainda em aberto o tamanho do rombo causado pelas operações com o Banco Master.

Segundo deputados distritais e federais que participaram da reunião, o presidente do BC afirmou que medidas complementares à multa que está sendo aplicada pelo desrespeito ao prazo legal independem da apresentação do balanço até o fim do mês. Os deputados são contrários à privatização e à liquidação do BRB pelo BC. A deputada federal Érika Kokay (PT-DF) disse que a bancada do DF quer salvar o banco, mas não vai aceitar que o governo Celina Leão transfira a responsabilidade para o governo Lula.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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