FIFA desiste de privatizar Copa do Mundo: veja os 7 motivos

A FIFA recuou de um dos projetos mais ousados de sua história recente. O presidente da entidade, Gianni Infantino, queria criar a Fifa Forward Enterprise (FFE), uma empresa privada que passaria a controlar os direitos comerciais e de transmissão dos principais torneios, como a Copa do Mundo e o Mundial de Clubes. A proposta previa a abertura de espaço para investidores privados e, em troca, prometia aumentar os repasses às 211 federações filiadas, que passariam de US$ 8 milhões para até US$ 20 milhões, com promessas que chegavam a US$ 40 milhões.
A ideia de privatizar o maior patrimônio do futebol, no entanto, gerou uma crise sem precedentes. O recuo foi motivado por sete fatores que isolaram a entidade e inviabilizaram o plano.
Divisão interna e pressão da UEFA
O próprio Infantino admitiu que o projeto criou divisões internas. A tentativa de mercantilização enfraqueceu a governança global da entidade, em vez de unificar o esporte. A UEFA liderou a oposição e avisou que os países europeus poderiam não participar das competições, o que reduziria o valor e o interesse na Copa do Mundo.
Rejeição das confederações e protesto na cúpula
A resistência não ficou restrita à Europa. Concacaf e AFC rejeitaram a proposta publicamente, enquanto Conmebol, CAF e OFC exigiram explicações e travaram o andamento. A crise também atingiu o alto escalão da FIFA: Carlos Cordeiro, assessor de confiança de Infantino, renunciou em protesto contra a criação da FFE.
Questionamentos éticos e isolamento político
A promessa de aumentar os repasses, com documentos vazados mostrando ofertas de até US$ 40 milhões, levantou suspeitas de “compra de votos”. O plano também perdeu apoio no cenário político internacional. O presidente dos EUA, Donald Trump, negou ter discutido a proposta com Infantino, desmontando qualquer tentativa de usar líderes globais para chancelar o projeto.
Perda do propósito e próximos passos
A proposta acabou descaracterizando o papel da FIFA, focando na rentabilidade e na atração de investidores em vez do desenvolvimento equilibrado do futebol mundial. Com o recuo, Infantino prometeu reunir confederações e federações nas próximas semanas para buscar alternativas. O desafio agora é encontrar formas de socorrer financeiramente as federações menores sem abrir mão do controle da Copa do Mundo.