O dólar à vista fechou em baixa de 0,40% nesta segunda-feira, cotado a R$ 5,0227, impulsionado pela valorização do petróleo. A moeda norte-americana chegou a ser negociada a R$ 5,0122 durante o dia. O movimento ocorreu apesar do aumento das tensões no Oriente Médio e do fortalecimento global do dólar.
O Irã anunciou a suspensão das conversas com os Estados Unidos em protesto aos ataques de Israel a bases do grupo Hezbollah no Líbano. Autoridades iranianas emitiram alerta para que moradores do norte de Israel deixassem a região. A escalada retórica de Teerã elevou os preços do petróleo pela manhã. O contrato do Brent para agosto chegou a US$ 97 e fechou a US$ 94,98, alta de 4,24%.
O head de banking da EQI Investimentos, Alexandre Viotto, afirmou que há dois vetores atuando sobre o câmbio. De um lado, o aumento da aversão ao risco, ruim para divisas emergentes. De outro, a alta do petróleo, que beneficia o Brasil por ser exportador líquido da commodity.
A economista-chefe do Ouribank, Cristiane Quartaroli, destacou que o real se apreciou por causa da exportação de petróleo e da piora das projeções de inflação no Boletim Focus, que aumenta a expectativa de juros elevados no Brasil. Isso atrai capital externo.
O peso colombiano foi o destaque entre as moedas emergentes, com alta de mais de 2,5% frente ao dólar. O movimento ocorreu após o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais da Colômbia, com desempenho forte do candidato de direita Abelardo de la Espriella.
O índice DXY, que mede o dólar ante seis moedas fortes, operou em alta moderada, rondando os 99,200 pontos. As taxas dos Treasuries subiram com preocupações inflacionárias causadas pela alta do petróleo. A semana tem como destaque a divulgação do relatório de emprego (payroll) de maio nos Estados Unidos, na sexta-feira.
Para Viotto, a tendência é de um dólar mais perto de R$ 5,00, mas que pode buscar os R$ 5,20. Ele afirmou que há mais chances de alta do que de queda, caso o Federal Reserve adote um discurso mais duro.
O Ibovespa caiu pelo quinto pregão consecutivo, com baixa de 0,91%, aos 172.197,46 pontos, o menor patamar desde 21 de janeiro. O índice oscilou entre 171.792,82 e 173.975,31 pontos, com giro financeiro de R$ 28,4 bilhões. No ano, a alta é limitada a 6,87%.
Bruna Centeno, economista na Blue3 Investimentos, destacou que o contexto global incerto se reflete na curva de juros, no câmbio e na Bolsa. A classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas pelos Estados Unidos na semana passada também preocupa.
Em Nova York, os índices fecharam em alta: Dow Jones +0,09%, S&P 500 +0,26% e Nasdaq +0,42%. As ações de empresas de software subiram após declarações do CEO da Nvidia sobre inteligência artificial.
Na B3, as ações da Petrobras subiram (ON +1,31%, PN +0,88%) acompanhando o petróleo. Vale caiu 1,35% e Itaú, 1,65%. Os destaques positivos foram Totvs (+4,32%), Brava (+2,57%) e Cosan (+2,11%). As maiores quedas foram de Minerva (-5,15%), RD Saúde (-4,44%) e Suzano (-3,01%).
No cenário geopolítico, o Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, ligado à Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, alertou moradores do norte de Israel para deixarem a região. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse que informou ao presidente dos EUA, Donald Trump, que Israel atacaria alvos do Hezbollah em Beirute se os ataques continuarem.
